Crônicas, pensamentos e, tentando não dizer tantas bobagens.

Arquivo para fevereiro, 2011

Capítulo único

O livro que eu não vou escrever… Sei que parece estranho, mas depois de ter escrito dois outros, e ter jogado ambos no lixo (por motivos que não quero explicar) alguns anos depois; é bobagem tentar terminar mais um. Resolvi posta-lo antes de seu inevitável destino.

Capítulo único

Você bem sabe que eu desci para que outros subissem, e agora, eleva-se como se fosse o mais importante dos seres?
Desde aquela noite, quando me alertou, se dirigiu a mim de acordo com minha condição atual; Por acaso esqueceu-se de quem eu sou? De que me adianta, mostrar-me todos os sinais se me oculta o que realmente importa? Antes eu era vento e fogo, outrora fui terra e água, então, de que acha que eu sou feito agora?  Só resta um desafio, e você sabe muito bem porque ainda estou aqui.
O tempo não vai me impedir para sempre. Até quando acha que vou esperar?
Lembra-se do meu nome? Eu sou aquele por quem as pessoas pedem nas horas de desespero, sou aquele que elas acreditam ser tudo que precisam para provar que podem ser diferentes, ou que realmente mudaram. Sou aquele que muitos não tiveram, pois não mereceram. Sou aquele que muitos precisam, poucos reconhecem e muitos desprezam.
Sou aquele que existe ainda que não se perceba, e, sobretudo, necessário. E isso independe de vocês, foi por eles que fui criado.
Eu nasci do pecado de Adão e Eva, embora não seja fruto dele.
Se quiser lembrar meu nome, se lembre daqueles que erraram e precisavam de algo para se redimir, precisaram de mim, pediram por mim, pois meu nome é: A Última Chance.
*
A madrugada, cenário e testemunha daquele evento, cedeu ao tempo, e na alvorada, a única certeza dos integrantes do grupo, era a de que algo havia mudado. O anjo ouvinte partiu, o que falou permaneceu sobre a água, iluminando as pequenas ondas que se formavam ao seu redor, e nem os seres que habitam as profundezas daquele rio puderam ficar indiferentes.

Uma fábula sonsa

Certo dia, enquanto as arvores eram balançadas pelo forte vento, as formigas cantavam felizes pelas folhas que se desprendiam, e assim facilitava-lhes o trabalho. Eram gratas, e diziam em suas canções que o vento era seu amigo.
O tamanduá com desdém observava e dizia:
-Não sejam tolas! O vento não está a seu favor e nem contra; enquanto derruba as folhas, ele leva parte de suas casas! Ajuda-me retirando parte da terra dos formigueiros; portanto, o vento é meu amigo!
O lobo, notoriamente mal-humorado, disse ao tamanduá:
-Não seja arrogante seu tolo! Eu estava há dois quilômetros daqui e senti o seu cheiro! Claro que o vento é muito mais meu amigo do que seu!
A arvore sorria, mas o vento continuava a soprar…

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