Crônicas, pensamentos e, tentando não dizer tantas bobagens.

Arquivo para agosto, 2012

Morrer, viver… Dormir, despertar.

O corte do cordão umbilical separou;  trouxe a consciência individual e, da consciência individual, nasceu o eu. Agora, não recebe mais seu alimento, sem esforços, de dentro do ventre. Não está mais dentro; perdeu a conexão. Se tornou dependente até que cresça, e, quando crescer, fará descendentes e se unirá a eles, viverá neles e, encontrará neles, brevemente, o contato com aquilo que perdeu. Seus filhos farão o mesmo. Criarão novos pequenos mundos, novos pequenos seres.

O eu passou a existir, mas, o eu, na verdade, é a ilusão daquilo que se vê separado do nós e, busca incessantemente encontrar para si, aquilo que tinha quando era nós. Mas, o eu é ilusão e, sem se dar conta disso, nada que adquira para si, bastará, porque o que busca só será encontrado quando o eu voltar a ser nós. O eu sempre será sozinho, ao contrário do nós; e, o nós, existe antes do eu.

O que está dentro, está fora. A alma interpreta manifestações do espírito através dos símbolos da matéria, assim como os gestos expressam manifestações da alma manipulando a matéria. A matéria é a expressão perceptível do espírito assim como nossas obras são manifestações da expressão da alma.

O espírito, com a matéria, se expressa para a alma, mas, a alma, pode se expressar tanto para o espírito quanto para ela própria através da matéria.

O espírito é o oposto da matéria,e, a vida é resultado dessa união. O Homem é o embrião sem “sexo” definido, mas, com a possibilidade de escolher entre matéria e espírito.

O eu é a ilusão do embrião. O eu dorme, o nós, desperta.

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Sobre a fé

Um homem ia viajar, mas antes, imaginou uma casa nova em seu terreno vazio e quis que a obra fosse concretizada. Acreditou que a construção seria possível; contratou os trabalhadores, confiou neles e comprou o material necessário. Tempos depois a obra ficou pronta, então, quando voltou de viagem o homem pode vê-la.

Assim é a fé.

Ver é a última etapa da criação, não a primeira.

Preconceito

Então, como um ladrão, vem o preconceito e rouba a razão. Se aproveita da escuridão causada pelo orgulho, e depois, julga baseado no pouco que vê junto com aquilo que acredita conhecer. Busca desesperadamente justificativas para compensar a diferença ou para torná-la evidente; se aproveita quando tem outro igual para compactuar, e assim, dividir a culpa. Olha com desconfiança, se incomoda, disfarça…

É o não-amor . Inveja de mãos dadas com o desdém, caminho para o abismo da alma; evidência da cegueira; disposição para se ter uma opinião completa sobre aquilo que se vê em parte, porque isso é melhor que admitir que pouco vê, que pouco quer ver, e, que pouco vê de si mesmo. É a ignorância.

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