Crônicas, pensamentos e, tentando não dizer tantas bobagens.

Só ama realmente a verdade aquele que a aceita mesmo vindo de um inimigo, de alguém que inveja, de alguém que subestima, de alguém que despreza e de alguém que não represente suas próprias crenças. Pois, se coloca condições para a verdade, valoriza mais suas condições que a própria verdade e, se valoriza mais suas condições, valoriza mais a si mesmo.

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Entrelaçados

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Assim todos os mistérios se foram e, finalmente, a cobra revelou-se pano. O louco, aos prantos, enxergou que tudo aquilo que o preocupa sempre fora combustível para um único objetivo: Existir em movimento. E a águia, do topo da montanha, permanecia imóvel observando o Bodhi entrelaçar- se a Figueira enquanto suas folhas, carregadas pelo vento, continham todas as ilusões que um dia serviriam de fonte de energia para “os outros” que iniciavam sua jornada. A águia sabia que muitos matariam pelas folhas, porém, o louco refletia em seu semblante que a morte fora vencida. A águia sorria e ambos foram abraçados pelo vento revelador que expunha que “os outros” sempre foi uma unidade de medida da distância, e que, tal distância, é um mero ponto de vista equivocado pela ignorância.

Sobre a verdade

Então, o cego passou a vida toda esperando uma verdade filosófica que mudasse sua história para sempre enquanto cada verdade dita, sentida, manifestada por qualquer pessoa, em qualquer momento, era tradada como se fosse algo diferente daquilo que procurava.

Brumas

Chorei à morte; ela sorriu. Olhava-me com a ternura de quem olha um filho. Acolhido, perguntei a razão. Ela novamente sorriu e, a estranheza tomou conta do meu coração; seus olhos refletiam nitidamente a minha imagem. Então, olhei para a luz, pois, ela tornara possível aquela visão. Poderia algo ser refletido na própria luz? A morte, atenta aos meus pensamentos, segurou minha mão. Minha mente aquietou. Naquele momento eu amei a morte e ela a mim.

Quem disse que o mundo existiria sem que houvesse uma consciência que pudesse definir “existência”?

Não importa… Ainda que imagine seu universo morto e cinza, ele estará em sua mente. Mesmo que acredite que haveria outra definição, ainda assim, seria necessária uma consciência.  Entenda de uma vez por todas: Existir é uma condição da consciência. Incontestável.

 

 

Expectativa

A Expectativa foi construir uma ponte que ligava seu estado atual à seu sonho. Planejou cada detalhe, imaginou a travessia, e feliz, foi de encontro ao sonho realizado.

Então, depois de tudo idealizado a expectativa finalmente pegou o primeiro tijolo. Toda orgulhosa, soprou a poeira, passou o cimento e, finalmente, colocou o tijolo no lugar.

Foi então que, uma criança que passava brincando tropeçou, quebrou o tijolo, caiu e se machucou.

Imediatamente a Expectativa odiou a criança e xingou praguejando contra ela. A criança machucada e, sem entender nada, se afastou. Nada justificava tamanha reação.

De longe a criança ouvia: – Criança maldita! Destruiu minha ponte!

A criança continuou correndo com a certeza absoluta de que só havia quebrado um tijolo. O nome dela era Impessoalidade e, obviamente, o nome do tijolo era Tijolo.

Questionei o demônio e ele me apontou o orgulho; questionei o orgulho e ele me apontou a carência; questionei a carência e ela me apontou a criança. Confuso, questionei a criança, ela me apontou o espelho. Ao olhar para o espelho, vi minha imagem refletida, não reparei se havia algo além dela. Conheci o ego. A busca terminou, ali estava a origem do mal, que só a criança poderia apontar.

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